terça-feira, 3 de novembro de 2009

Infância para adultos


Assisti, com muito atraso, UP esse final de semana.
Venho querendo escrever sobre essas animações faz um bom tempo. Primeiro, e muito importante, é a diferença de profundidade que a Pixar tem em suas narrativas, em relação à Dreamworks (não, não estou jogando confete pra nenhuma, ambas são muito boas, mas pra momentos diferentes).
A diferença, em minha opinião, é que a Pixar tem uma carga emocional muito forte. Provavelmente devido aos temas simples e familiares aos quais eles se aventuram a narrar. Só sei que, a despeito das diversas histórias que eles fazem, a maioria tem uma carga bastante significativa para mim, e devido a isso, me emocionam bastante.



Quem nunca viu essa historinha?



No caso, os meus preferidos são:
Pixar: Incríveis, Wall-e e UP!
Dreamworks: Shrek, Madagascar, Kung-fu panda e alguns momentos do sem floresta.
Nem comento as outras produtoras, com suas animações recheadas de sarcasmo e boas sacadinhas, mas sem uma amarração decente.
O que é interessante, é que as os filmes infantis não são mais para crianças. Pelo menos não SÓ pra elas. Obviamente que animações visam o publico infantil, e nunca vai deixar de ser assim, mas eu observo que boa parte do publico infantil que eles buscam está nas décadas passadas. As piadas sutis, sacadinhas e narrativas interessantes atingem os adultos com uma intensidade fora do comum, e que nos pegam com a guarda baixa, pois vamos livres (ou cheios) de preconceito por ser um inofensivo filme infantil.
É ir feliz ver o filme, e BANG! Pego de surpresa!
Quando assisti Wall-e com o colega Stormrider, ficamos tão impressionados com o peso das mensagens, que ficamos discutindo ele por horas, prometendo ver mais uma vez antes de postar algo sobre o tema.
No caso de UP, eu diria que é a mesma coisa. Se eu tivesse visto com mais alguém (vi com minha namorada e minha mãe) disposto a confabular e elaborar teorias sobre o negócio, acredito que passaria tanto tempo falando sobre o tema que não me daria ao trabalho de expo-lo aqui.
Wall-e e UP nos trazem heróis fora do comum, com suas vidinhas e afazeres, e que no final, por uma resolução pessoal muito grande, devido a circunstancia dos fatos, acaba por realizar coisas grandiosas.
Como a história dos melhores perfumes virem nos menores frascos, eles nos derrubam em uma demonstração de como a vida sem complicações faz muito mais sentido do que o monte de empecilhos que colocamos no nosso próprio caminho, sem falar no dos outros.
Obviamente, que minhas interpretações, como de todo mundo, variam de pessoa pra pessoa. Na minha visão, os filmes são fortes, pelo fato do personagem ser humilde. A jornada do herói, como diriam meus podcasters favoritos do jovemnerd, aonde ele começa como um personagem simples, e vai sendo percebido, por seus atos, como alguém maior do que sua aparência. Crescimento surpreendente, ainda assim, exalando humildade, em um contraste díspar de um simples homem (ou robô?!) a despeito da enormidade dos próprios atos. Tudo isso, aliado a um conceito que eu venho imaginando há muito tempo, o de vida simples.
Todos eles levavam uma vida pacata, feliz, satisfeita, sem querer demais, porem, sem faltar nada. Tinham suas tarefas que os mantinham ocupados, uma rotina, e um amor. O ponto principal foi a grandeza dos gestos que foram capazes de fazer pelo seu amor, a profundidade do sentimento que nutriam, convertido em algo impressionante.
Vejo isso como um exemplo interessante de história, junto com a falta da personificação de vilões, pois a realidade já interpreta a sua vilanesca parte nos obstáculos colocados para serem transpostos.
São retratos exacerbados da vida, em parte real, em parte almejada por aqueles que assistem, e exatamente por isso que são pegos de surpresa. Essas histórias nos pegam em um momento que viajamos de volta a nossa infância, sonhando, e relembrando os divertidos momentos, entre risadas e choros, que formaram o que somos hoje.
E lá, ainda imaginamos o que poderemos ser quando crescer.

Um comentário:

É nois disse...

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