quinta-feira, 17 de julho de 2008

PALIDO PONTO AZUL


Inspirado pelo filme Wall-E, ao qual ainda comentarei, porem eu ainda estou embasbacado o suficiente com a quantidade de coisas que eu tirei daquele filme pra querer ver ele mais 2 vezes...e também inspirado por um vídeo que o tele me mandou, fico pensando no porque o mundo não pode ser um lugar melhor.
Anyway...

No dia 14 de fevereiro de 1990, foi enviado um comando a Voyager 1 para se virar e tirar fotografias dos planetas que havia visitado. Uma imagem que retornou da Voyager era a Terra, a 6.4 bilhões de quilômetros de distância, mostrando-a como um "pálido ponto azul" na granulada imagem.

O astrônomo Carl Sagan, inspirado por essa foto, relatou seus pensamentos (no livro palido ponto azul), dando um sentimento de profundidade a foto do "V-GER"...


abaixo a tradução de um trecho do texto, e um videozinho que creio que foi narrado por ele...

"A espaçonave estava bem longe de casa. Eu pensei que seria uma boa idéia, logo depois de saturno, fazer ela dar uma ultima olhada em direção de casa.

De saturno, a Terra apareceria muito pequena para a Voyager apanhar qualquer detalhe, nosso planeta seria apenas um ponto de luz, um "pixel" solitário, dificilmente distinguível de muitos outros pontos de luz que a Voyager avistaria:

Planetas vizinhos, sóis distantes.
Mas justamente por causa dessa imprecisão de nosso mundo assim revelado valeria a pena ter tal fotografia.
Já havia sido bem entendido por cientistas e filósofos da antiguidade clássica, que a terra era um mero ponto de luz em um vasto cosmos circundante, mas ninguém jamais a tinha visto assim.
Aqui estava nossa primeira chance, e talvez a nossa ultima nas próximas décadas.
Então, aqui está - um mosaico quadriculado estendido em cima dos planetas, e um fundo pontilhado de estrelas distantes.

Por causa do reflexo da luz do sol na espaçonave, a Terra parece estar apoiada em um raio de sol. Como se houvesse alguma importância especial para esse pequeno mundo, mas é apenas um acidente de geometria e ótica. Não ha nenhum sinal de humanos nessa foto.Nem nossas modificações da superfície da Terra, nem nossas maquinas, nem nós mesmos.

Desse ponto de vista, nossa obsessão com nacionalismo não aparece em evidencia. Nós somos muito pequenos. Na escala dos mundos, humanos são irrelevantes, uma fina película de vida num obscuro e solitário torrão de rocha e metal.

Considere novamente esse ponto. É aqui. É nosso lar. Somos nós. Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada crianças esperançosas, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada "superstar", cada "lidere supremo", cada santo e pecador na historia da nossa espécie viveu ali, em um grão de poeira suspenso em um raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pense nas infindáveis crueldades infringidas pelos habitantes de um canto desse pixel, nos quase imperceptíveis habitantes de um outro canto, o quão frequentemente seus mal-entendidos, o quanto sua ânsia por se matarem, e o quão fervorosamente eles se odeiam. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, em sua gloria e triunfo, eles pudessem se tornar os mestres momentâneos de uma fração de um ponto.


Nossas atitudes, nossa imaginaria auto-importancia, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, é desafiada por esse pálido ponto de luz. Nosso planeta é um espécime solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda essa vastidão, não ha nenhum indicio que ajuda possa vir de outro lugar para nos salvar de nos mesmos.
A Terra é o único mundo conhecido até agora que sustenta vida. Não ha lugar nenhum, pelo menos no futuro próximo, no qual nossa espécie possa migrar. Visitar, talvez, se estabelecer, ainda não. Goste ou não, por enquanto, a terra é onde estamos estabelecidos.

Foi dito que a astronomia é uma experiência que traz humildade e constrói o caráter. Talvez, não haja melhor demonstração das tolices e vaidades humanas que essa imagem distante do nosso pequeno mundo. Ela enfatiza nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, e de preservar e estimar o único lar que nós conhecemos...o pálido ponto azul."




3 comentários:

Cabral disse...

Muito bom! Eu acho que quanto mais abrimos nosso foco de visão dsa coisas mais conseguimos perceber como tudo é simples. O verdadeiro problema é conseguir viver com esse foco aberto, sempre.

Muito bom esse post!

Abraço

filipe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mosca disse...

Post fantástico,nos enobrece assim como faz a astronomia. Depois de uma bela reflexão sobre as injustiças e pecados, de que tudo é muito simples e em proporções fora do alcance.

Confesso que não consegui escrever um post simples e direto.
Parabéns pelo post